A colecistectomia laparoscópica convencional costuma ser realizada com quatro acessos, mas o número de incisões pode variar. Mais importante do que contar “furos” é permitir exposição e identificação segura da anatomia da vesícula e da via biliar.

Por que normalmente são usados vários acessos

Cada portal permite posicionar câmera ou instrumento em um ângulo diferente. Essa triangulação ajuda a tracionar a vesícula, dissecar tecidos e visualizar as estruturas antes de seccioná-las.

Em uma configuração convencional, um acesso costuma receber a câmera e os demais são usados para exposição e dissecção. Localização e calibre podem mudar conforme técnica, equipamento, anatomia e preferência da equipe.

Quatro acessos são obrigatórios?

Não. Existem técnicas com menos portais e técnicas de incisão única. Diretrizes da SAGES reconhecem que abordagens com menos acessos podem ser realizadas, desde que os mesmos princípios de segurança da colecistectomia laparoscópica sejam mantidos.

Isso não significa que três, dois ou um acesso sejam automaticamente melhores.

Menos cortes significa menos risco?

Não é possível afirmar dessa forma. O número de portais é apenas uma parte da operação. Visibilidade, ergonomia, inflamação, sangramento, índice de massa corporal, aderências e variações anatômicas podem tornar um acesso adicional útil.

Se um portal extra melhora a exposição e permite dissecar com mais segurança, adicioná-lo é uma adaptação técnica apropriada — não uma falha estética da operação.

O que é mais importante do que o número de portais

Um princípio central é identificar com segurança as estruturas que serão seccionadas. Na colecistectomia, isso inclui a estratégia conhecida como Critical View of Safety e outras medidas de prevenção de lesão da via biliar.

Quando a anatomia não está clara, o cirurgião pode mudar a estratégia, utilizar métodos auxiliares, fazer uma operação de bailout ou converter para cirurgia aberta. Preservar um número mínimo de incisões nunca deve ter prioridade sobre segurança.

As cicatrizes ficam todas iguais?

Não. Tamanho, localização, tendência individual de cicatrização e necessidade de ampliar uma incisão para retirar a vesícula podem mudar o aspecto final. Inflamação importante ou uma vesícula muito distendida também pode exigir adaptação.

Dá para escolher antes “quero só três furos”?

O paciente pode conversar sobre preferências estéticas e conhecer a técnica planejada, mas a quantidade final de acessos deve permanecer subordinada ao que for necessário durante a operação.

Prometer um número imutável antes de ver a anatomia interna pode criar uma expectativa que conflita com decisões de segurança.

Em resumo

Quatro acessos são comuns na colecistectomia por vídeo, mas não constituem uma regra absoluta. Técnicas com menos portais existem, e um acesso adicional pode ser necessário. O objetivo é retirar a vesícula com exposição e identificação anatômica seguras.

Referência essencial

  • SAGES. Guidelines for the Clinical Application of Laparoscopic Biliary Tract Surgery.