Depois de uma cirurgia, é comum receber orientações para voltar a se movimentar de forma progressiva. Uma das razões é reduzir os efeitos da imobilidade. Entre as complicações que merecem atenção está o tromboembolismo venoso, termo que inclui a trombose venosa profunda (TVP) e a embolia pulmonar (EP).

Isso não significa que toda dor na perna após uma operação seja trombose. Também não significa que toda pessoa operada precise usar anticoagulante ou meia de compressão. O risco depende do tipo de cirurgia, idade, mobilidade, histórico de trombose, câncer, uso de determinados hormônios e vários outros fatores.

O que é trombose venosa profunda?

A TVP ocorre quando um coágulo se forma em uma veia profunda, mais frequentemente na perna. Cirurgia e redução temporária da mobilidade podem aumentar o risco em algumas pessoas, mas a probabilidade individual varia muito.

Sinais que merecem avaliação incluem:

  • dor ou sensibilidade em uma perna sem explicação clara;
  • inchaço de um lado, especialmente quando é novo ou progressivo;
  • aumento de calor ou mudança de cor da pele na perna afetada.

Esses sintomas também podem ter outras causas. A confirmação de TVP não é feita pela aparência da perna e pode exigir avaliação clínica e exames, como ultrassonografia venosa.

Quando a preocupação passa a ser embolia pulmonar?

Uma embolia pulmonar acontece quando um coágulo alcança a circulação pulmonar. É uma situação potencialmente grave e os sintomas podem surgir de forma súbita.

Procure atendimento de emergência se houver falta de ar importante ou súbita, dor no peito — especialmente quando piora ao respirar —, desmaio, tosse com sangue ou deterioração rápida do estado geral. Em quadros intensos, não é adequado esperar uma consulta de rotina.

Posso esperar para ver se melhora?

Se existe inchaço novo e assimétrico em uma perna, dor persistente associada a esse inchaço ou outro conjunto de sinais compatível com TVP, vale procurar avaliação médica com prioridade. Quando há sintomas que podem sugerir embolia pulmonar, a avaliação é de emergência.

A intensidade do sintoma não permite excluir o problema com segurança. Da mesma forma, ter passado alguns dias bem depois da cirurgia não elimina totalmente a possibilidade de um evento tromboembólico.

Como a prevenção é decidida?

A prevenção deve ser individualizada. Dependendo do risco, a equipe pode usar uma combinação de mobilização precoce e progressiva, medidas mecânicas em pacientes selecionados e anticoagulação preventiva quando o benefício supera o risco de sangramento.

Essas decisões dependem do procedimento e dos fatores de risco do paciente. Não é seguro iniciar, suspender ou ajustar anticoagulantes por conta própria com base em um artigo na internet.

E caminhar ajuda?

Para pacientes clinicamente estáveis e sem restrição específica, levantar e caminhar de forma progressiva costuma fazer parte da recuperação. A mobilidade é uma medida importante, mas não substitui a profilaxia farmacológica quando ela foi indicada, nem torna o risco igual para todas as pessoas.

Em resumo

TVP e embolia pulmonar são problemas diferentes, embora façam parte do mesmo espectro. Dor e inchaço unilateral na perna justificam avaliação; falta de ar súbita, dor torácica, desmaio ou tosse com sangue exigem resposta mais rápida e podem representar emergência.

Referências essenciais

  • NHS. Deep vein thrombosis (DVT). Orientação institucional revisada em 2026.
  • NHS. Pulmonary embolism. Orientação institucional para sinais e atendimento de emergência.