Diástase dos retos também ocorre em homens. Ela não é uma “ruptura do músculo”: trata-se do alargamento da linha alba, a estrutura de tecido conjuntivo entre os músculos retos do abdome.

A definição muda para homens?

Não. A European Hernia Society propõe definir diástase como separação superior a 2 cm entre os retos. Sexo, largura da separação, contexto pós-gestacional e presença de hérnia ajudam a classificar o quadro, mas a decisão terapêutica não deve depender apenas da medida.

Em homens, o achado pode aparecer junto de aumento do volume abdominal, variações de peso, alterações do tecido conjuntivo ou hérnias da linha média. É prudente evitar atribuir a causa a um único exercício, episódio de esforço ou hábito sem avaliação individual.

Quais sintomas podem ocorrer

Muitos homens percebem um abaulamento longitudinal no centro do abdome ao levantar da cama ou contrair o tronco. Outros relatam sensação de instabilidade, dificuldade de controle do core ou desconforto associado a esforço.

Dor lombar e alterações posturais podem coexistir, mas não devem ser automaticamente atribuídas à diástase, porque têm várias causas possíveis.

Como é feito o diagnóstico

Na maior parte dos casos, o exame físico fornece informações importantes sobre a linha média, o comportamento do abaulamento e a presença de hérnias. Ultrassonografia ou tomografia podem ser úteis quando existe dúvida, necessidade de medir a anatomia com mais precisão ou planejamento de defeitos associados.

Mais importante do que encontrar um número é saber se existe hérnia umbilical, epigástrica ou incisional e como a parede abdominal funciona durante esforço.

Exercício consegue “fechar” a diástase?

A evidência disponível não permite prometer fechamento anatômico completo por um protocolo de exercícios. Fisioterapia e treinamento direcionado podem ser considerados para melhorar força, coordenação e função do tronco.

Também não é necessário proibir automaticamente musculação ou exercícios abdominais. A carga deve ser adaptada aos sintomas, à técnica e ao objetivo de reabilitação.

Quando a cirurgia pode ser considerada

Cirurgia pode entrar na discussão em pacientes selecionados com sintomas ou instabilidade relevantes, limitação funcional persistente, impacto importante do contorno corporal ou hérnia associada que também precisa de tratamento.

A diretriz europeia sugere plicatura da linha alba quando não existe hérnia concomitante e reparo baseado em tela quando há hérnia da linha média associada. Como a qualidade da evidência é limitada, técnica e via de acesso precisam ser individualizadas.

Diástase vira hérnia se não operar?

Diástase e hérnia são condições diferentes. A diástase não é um “buraco” fascial equivalente a uma hérnia e não deve ser apresentada como uma lesão que obrigatoriamente evoluirá para encarceramento. Pode haver hérnia associada, e essa associação muda a avaliação.

Em resumo

Homens podem ter diástase e devem ser avaliados pelos mesmos princípios anatômicos e funcionais: medida, sintomas, controle do core, presença de hérnia e objetivos do paciente. Tratamento conservador ou cirurgia são escolhas individualizadas, não respostas automáticas ao tamanho do afastamento.

Referência essencial

  • European Hernia Society. Guidelines on management of rectus diastasis. Br J Surg. 2021. PMID 34595502. DOI 10.1093/bjs/znab128.